Povo
Os En são um povo pequeno e pouco conhecido do extremo norte do Vietnã, concentrado numa única aldeia nas montanhas próximas da fronteira com a China. Vivem lado a lado com o povo nung, com quem por muito tempo foram confundidos, até que sua língua fosse reconhecida como um idioma distinto apenas no fim do século passado.
Como os demais povos das terras altas dessa região do Vietnã, sustentam-se do cultivo de arroz e hortaliças e da criação de pequenos animais, numa vida marcada pela proximidade com a terra e pela força dos laços de vizinhança. Sua identidade está ligada de perto à fala própria da aldeia, um traço raro que os distingue mesmo dentro de um território onde predomina o nung.
Durante gerações, o povo que hoje se chama En foi tratado como parte dos nung, seus vizinhos de fala tai que ocupam boa parte do norte montanhoso do Vietnã. Só no fim dos anos 1990 um linguista vietnamita notou que a fala de uma aldeia isolada do distrito de Ha Quang, na província de Cao Bang, não pertencia à família tai como a dos nung, e sim a um ramo linguístico bem mais raro da região. Esse reconhecimento tardio ajuda a explicar por que o povo permanece, até hoje, quase invisível fora dos círculos acadêmicos.
| Country | Share of the people | Population |
|---|---|---|
Vietnã Unreached
|
100%
|
300 |
A vida gira em torno de uma única aldeia nas montanhas do extremo norte, perto da fronteira com a China: plantar arroz e hortaliças, criar alguns animais e seguir o ritmo das estações marca o cotidiano, como acontece com outros povos das terras altas dessa região. A casa e a vizinhança imediata concentram quase toda a vida social, num lugar onde todos se conhecem e a ajuda mútua no trabalho da terra é parte natural da rotina.
Por muito tempo, os En foram vistos por fora como um subgrupo dos nung, com quem dividem território e convivência próxima. Só recentemente pesquisadores reconheceram sua fala como algo distinto, o que ajuda a explicar por que o povo segue tão pouco documentado, mesmo vivendo há gerações no mesmo lugar.
A fé tradicional dos En é uma religião étnica que mistura culto aos ancestrais e crença em espíritos ligados à natureza: o vento, os rios, as árvores e a terra são vistos como habitados por forças que podem ajudar ou prejudicar a vida da aldeia. Rituais para agradar esses espíritos e honrar os antepassados fazem parte do calendário da comunidade.
Essa visão de mundo está tão entrelaçada à identidade do grupo que não separa vida religiosa de vida cotidiana: cuidar da terra, tratar os doentes e marcar as fases da vida passam, de algum modo, pelo diálogo com o mundo espiritual dos ancestrais e da natureza ao redor.
A língua En só foi reconhecida como idioma próprio no fim dos anos 1990, depois de décadas sendo confundida com o nung vizinho. É falada apenas de forma oral, sem tradição escrita consolidada, e um trabalho de tradução das Escrituras para essa fala foi iniciado, mas nenhuma porção ainda foi publicada. Quem já ouviu algo do evangelho entre os En provavelmente ouviu em vietnamita ou em nung, línguas de contato do dia a dia, e não na própria fala da aldeia.
A people only truly understands the gospel when they hear it in the language of their heart. See how far the translation has come.
- Translation started Current stage
- 2 Portions Still ahead
- 3 New Testament Still ahead
- 4 Whole Bible Still ahead
Translation data: Joshua Project.
Ser En, na prática, significa pertencer a uma comunidade tão pequena e isolada que o primeiro obstáculo é simplesmente ser conhecido: a maioria dos vietnamitas nunca ouviu falar desse povo, e poucos cristãos das regiões vizinhas sabem que ele existe como grupo distinto. A crença de que os espíritos da natureza protegem a aldeia e os ancestrais está entrelaçada à vida cotidiana, de modo que abandoná-la pode parecer romper com a própria terra e a própria família. A distância das cidades e a ausência de qualquer igreja na região tornam o contato com o evangelho, na língua ou fora dela, algo raríssimo.
Sendo tão poucos e tão isolados, os En carecem de praticamente tudo que sustentaria uma testemunha cristã local: não há igreja na região, não há material algum na própria língua e não há, ao que se sabe, nenhum crente de dentro do povo. A própria sobrevivência da língua e da identidade do grupo é frágil diante da proximidade e da influência constante do povo nung, muito mais numeroso.
Mais do que qualquer coisa, os En precisam deixar de ser um povo esquecido: alguém que se disponha a aprender sua fala, conhecer sua aldeia e levar até ali, com respeito, a notícia de Jesus Cristo.
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